A precária infra-estrutura da internet brasileira

Ontem, 3 de julho, uma falha na rede da Telefónica afetou seriamente o tráfego da internet em São Paulo; grandes empresas (Banco do Brasil, Itaú, HSBC), diversos órgãos do Governo e milhões de usuários domésticos tiveram o acesso prejudicado ou interrompido. Hoje, 4 de julho, ao divulgar que os serviços estavam parcialmente restaurados, o Presidente da Telefónica afirmou: “Chegamos à conclusão que é algo raro e complexo. Estamos trabalhando com todos os nossos fornecedores. Até o momento, infelizmente, não pudemos identificar as causas, as origens deste problema.”

Ou seja, o maior Estado do Brasil praticamente pára porque UMA empresa teve problemas; a empresa demora dias para resolver o problema; e o máximo de explicações que fornece é que “o problema é raro e complexo”.

O fato vem mostrar de forma irrefutável o quão precária é a infra-estrutura da internet brasileira. Dependemos todos de algumas poucas empresas, que, vemos agora, estão despreparadas para lidar com problemas complexos. Nos Estados Unidos, numa situação como essa, a Telefónica estaria falida; no Brasil, continuará lucrando como sempre.

Além de servidores diversos, a internet depende para funcionar de uma estrutura física, por onde os dados trafegam. O tronco dessa estrutura é chamado de backbone (”espinha dorsal”), uma rede, atualmente em fibra óptica, por onde transitam grandes volumes de dados; a partir dos backbones, ramos mais finos vão conectando-se aos grandes provedores, de onde saem ramos ainda mais finos até os médios provedores, e assim sucessivamente até o usuário final. Mas o que define a capacidade do país de garantir o tráfego permanente de dados da internet é a abrangência e a robustez do backbone.

No Brasil, o backbone foi construído pela então monopolista Embratel, e foi expandido pelas atuais oligopolistas operadoras de longa distância.

Nos Estados Unidos, o backbone começou a ser implantado há décadas pelo Departamento de Defesa (a ARPANET); nos anos 80, a tarefa foi conduzida pela National Science Foundation (que gerenciava a NSFNet). A partir dos anos 90, quando a internet assumiu o modelo comercial atual, diversas grandes empresas passaram a investir em gigantescas redes próprias, e em pouco tempo tornou-se desnecessária e impraticável uma gerência centralizada para o backbone.

Para garantir que o backbone tivesse a maior abrangência e a maior confiabilidade possíveis, essas grandes empresas, voluntariamente (sem nenhuma imposição legal), resolveram assinar acordos entre si, permitindo a troca de dados entre suas redes, sem qualquer tipo de restrição.

Essas grandes redes interligadas formam o que hoje se chama de Tier 1 Network (Camada 1 da Rede); algumas das empresas (todas gigantescas) que compõem o Tier 1 são ATT, Global Crossing, Level 3, NTT, Qwest, Sprint, Verizon.

Na prática, é como se a Tier 1 formasse uma única e gigantesca rede, com enorme redundância e robustez; quanto mais próximo se está do T1 (existem também as Tier 2 e Tier 3), mais confiável será a conexão à internet.

Nos Estados Unidos, nenhum Governo deixa de funcionar porque uma empresa se deparou com “um problema complexo”.

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Compare preços de Notebooks

Solid State Drives consomem MAIS energia do que HD convencionais

Os SSDs (Solid State Drives, ou Flash HDs, ou HDs de estado sólido) vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado de notebooks. Muito desse crescimento deve-se a duas suposições: os SSDs teriam melhor desempenho e consumiriam menos energia que os HDs, o que favoreceria seu uso em máquinas portáteis; essas suposições foram geralmente tidas como verdadeiras, apesar de discretos alertas em contrário, como esse da Dell, ao anunciar seu primeiro modelo de notebook com SSD.

O site Tom’s Hardware resolveu tirar a questão a limpo. Após um detalhado teste, eles concluíram que, dado o atual estado da tecnologia, os SSDs consomem mais energia do que os HDs convencionais (o que resulta em menor duração da bateria); mesmo quanto ao desempenho, a conclusão foi que, dependendo do modelo de SSD e HD, tanto um como outro poderia se sair melhor (ou seja, o SSD não é necessariamente superior ao HD).

O site forneceu algumas explicações para esses resultados (ver essa página). Um SSD está em apenas dois estados possíveis: active (ligado) ou idle (desligado); isso significa que, ao ligarmos o SSD, ele começará a consumir energia, independentemente de haver ou não acesso aos dados (segundo o site, a indústria de SSDs está consciente dessa deficiência, e está trabalhando para saná-la). Um HD, por outro lado, consome diferentes níveis de energia, dependendo de como seja a distribuição, pela superfície do HD, dos dados sendo lidos/escritos; numa situação típica (HD pouco fragmentado), os movimentos bruscos dos braços são raros, e portanto o consumo de energia é baixo; além disso, vale lembrar que existem diversas medidas que otimizam o uso de energia do HD.

O site testou quatro modelos de SSD e um HD. Os SSDs foram todos de 32GB e 2.5 polegadas: Crucial, MTron, SanDisk e MemoRight. O HD foi um Hitachi 7K200, de 2,5 polegadas, 200 Gigabytes e 7200 rpm (um modelo de 4200 rpm consumiria menos energia e teria pior desempenho). Todos esses dispositivos foram colocados seqüencialmente num Dell Latitude D630, e foram feitos diversos testes para comparação de consumo de energia e desempenho. Resultados principais nos gráficos abaixo.

ssd-autonomia-bateria.png

Autonomia da bateria: o HD da Hitachi foi o que teve a maior autonomia, superando em apenas um minuto o MemoRight (o mais caro dos SSDs testados), mas com uma hora de vantagem sobre o pior SSD.

ssd-desempenho.png

Desempenho: foi atribuída uma pontuação a cada dispostivo, dependendo da velocidade com que certos programas eram executados. Como mostra o gráfico acima, o HD teve classificação intermediária, sendo superado por dois SSDs, mas ganhando de outros dois.

Nas suas conclusões, o Tom Hardware é bastante crítico com os SSDs; relembrando também que os SSDs são ainda muito mais caros que os HDs, o site insinua que os fabricantes de SSDs estariam prometendo o que sabem (ou deveriam saber) que não podem entregar: melhor desempenho com menor consumo.

Na opinião desse blog, embora os resultados sejam irrefutáveis, deve-se lembrar que a tecnologia dos SSDs é ainda muito recente, comparada com a dos HDs; parece que, na fase atual, os fabricantes de SSD estão ainda se esforçando para criar dispositivos com capacidades compatíveis com as dos HDs. Numa fase posterior, num futuro breve, é provável que novas técnicas de otimização de desempenho e consumo sejam implementadas, e os SSDs devem melhorar bastante seus resultados.

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Novos Toshiba Satellite: P300, A300, M300 e U400

A Toshiba anunciou recentemente novas séries de sua linha Satellite: os P300, A300, M300 e U400; ver comentários (em inglês) aqui e aqui. A linha Satellite é a de maior sucesso da toshiba-satellite-a300.jpgToshiba (as linhas Qosmio e Portege são modelos mais caros, para consumidores mais exigentes), o que faz com que a empresa seja comedida para lançar novas séries (em geral, a Toshiba prefere aprimorar modelos já existentes, como o best seller Satellite A205). Dessa feita, entretanto, em vista da considerável adição de novas funcionalidades, a Toshiba preferiu lançar novas séries.

Verifique preços de notebooks Toshiba à venda no Brasil.

O P300 é o modelo maior, com tela de 17 polegadas (concorre, por exemplo, com o Dell XPS 1730); o A300 tem tela de 15.4 polegadas (similar aos Sony Vaio CR); o M300 tem tela de 14,1 polegadas (similar a diversos modelos HP); o U400 é um ultra-portátil, com tela de 13,3 polegadas (mesmo tamanho dos MacBook Pro).

Todos os modelos vêm com os mais modernos processadores Intel (T8300 ou T9300) e quantidades generosas de HD (um drive de 320GB ou dois drives de 320GB para o P300); com exceção do U400, as máquinas são capazes de executar o Windows Vista em 64 bits, o que permite a utilização de 4GB de memória.

Outras características comuns a todas as máquinas: receptor FM embutido; porta eSATA, que permite transferências de dados a drives externos com velocidades cinco vezes maiores do que as portas USB 2.0; portas USB ativas, que permite a carga de pequenos dispositivos USB, ainda que os notebooks estejam desligados; software de reconhecimento de face.

Ja à venda nos Estados Unidos. Preços: P300: US$ 1800; A300: US$ 1350; M300: US$ 1250; U400: US$ 1300.

A Toshiba produzirá também máquinas com processadores da AMD; esses modelos serão chamadados de P300D, A300D, M300D e U400D.

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A publicidade de notebooks na mídia impressa

A revista Veja dessa semana circulou com um anúncio de página inteira da Saraiva ofertando os seguintes modelos de notebooks HP Pavilion: DV2760BR, DV2770BR, DV2850BR, Tablet TX2075BR e DV6750BR.

Lendo o anúncio, percebem-se duas coisas: é muito difícil criar peças informativas sobre notebooks para veiculação em mídia impressa, e os publicitários ainda não estão preparados para essa tarefa.

Notebooks são produtos complexos, com enorme número de diferentes configurações (diferenças, por exemplo, no processador, memória, dimensões, sistema operacional, periféricos incorporados), e onde cada alteração na configuração pode ter grandes impactos no preço do produto e grandes impactos na utilidade da máquina para o usuário. É muito difícil para a mídia impressa encontrar espaço para mencionar e comparar as diferentes configurações que atendam aos diferentes leitores (potenciais compradores); na internet, por outro lado, como os anúncios não ocupam espaço físico, existe um volume praticamente infinito de espaço virtual onde os anunciantes podem detalhar quanto quiserem as configurações de qualquer número de notebooks (esse fenômeno foi bem explicado num livro e artigo chamados A Cauda Longa).

No caso desse anúncio da Saraiva, as máquinas foram descritas individualmente, sem nenhuma comparação que procurasse justificar a grande diferença de preços, que variavam de R$ 2.599 a R$ 3.999; e, pior ainda, mesmo as descrições individuais continham imprecisões que, além de não ajudar, ainda poderiam confundir o potencial comprador.

Alguns exemplos de incorreções e imprecisões:

  • os processadores das três máquinas que utilizam chips Intel foram assim discriminados: Intel Core 2 Duo (DV2760BR), Intel Centrino Duo (DV2770BR) e Intel Dual Core (DV2850BR). Ocorre, entretanto, que o DV2760BR e o DV2770BR utilizam exatamente o mesmo processador, o Core 2 Duo T5450, e o DV2850BR utiliza o Core Duo T2370, que é de uma geração anterior ao Core 2 Duo.
  • as máquinas utilizam diferentes sistemas operacionais: Windows Vista Home Basic, Home Business e Home Premium; nenhuma palavra sobre as diferenças entre eles.
  • informações relevantes que poderiam influenciar na decisão do consumidor foi omitida. Por exemplo, o HP DV2760BR vem com uma pintura especial que a distingue dos outros notebooks (ver figura abaixo), enquanto a TX2075BR tem tela sensível ao toque (o que explica o fato de ela ser a mais cara das máquinas).

hp-pavilion-dv2760br.jpg

Para aqueles que procuram esclarecimentos sobre esse anúncio, vão algumas informações:

  • O HP Pavilion DV2850BR é o mais barato (R$ 2.599 no anúncio) porque utiliza o processador mais antigo, utiliza o sistema operacional menos amigável e tem o menor HD, com 120 GB (o que é mais do que suficiente para usuários comuns).
  • O HP Pavilion DV6750BR (R$ 2.999 no anúncio) usa processadores de lançamento recente da AMD; tais processadores têm bom desempenho, mas sabidamente consomem mais energia (o que reduz a autonomia da máquina). Outra particularidade desse modelo é que ele tem tela de 15″, o que permite melhor visualização, mas torna o transporte mais desconfortável. O sistema operacional é a versão mais avançada (e cara) do Vista, o Home Premium.
  • O HP Pavilion DV2760BR (R$3.799 no anúncio - leia uma resenha) tem aumento de preço por conta do processador, que a Intel batizou de Core 2 Duo (note, entretanto, que essa não é a mais recente família de processadores; existem séries ainda mais novas e caras) e um HD levemente maior. O modelo tem também pintura estilizada.
  • O HP Pavilion DV2770BR (R$3.999) tem como principal diferencial em relação ao DV2760 o HD maior, com capacidade de 250 GB; o espaço extra de HD pode ser útil para usuários que trabalhem com arquivos grandes (vídeos, imagens, etc), mas não deve fazer falta para aqueles que se acostumem a fazer cópias periódicas de seus arquivos.
  • O HP Pavilion Tablet TX2075BR (leia uma resenha) é o modelo mais caro (R$ 3.999) porque é o único tablet; nesse tipo de notebook, o monitor pode ser ajustado em diversas posições e a tela é sensível a toque (o que a torna muito conveniente para se fazer exposições de palestras com notebooks); além disso, com tela de 12 polegadas, é a mais portátil das máquinas apresentadas. Como desvantagem, vale lembrar que esse modelo usa processador Turion X2, que tem bom desempenho mas alto consumo de energia (comparado aos Intel Core 2 Duo).

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Salários: Google, Microsoft, Yahoo, Apple

Quando se trata do mercado de trabalho de alta tecnologia, dois fatos são recorrentes: 1) as grandes empresas (Google, Yahoo, Microsoft, Apple) são consideradas mecas dos profissionais ambiciosos e talentosos; 2) os salários efetivamente pagos raramente são divulgados (as referências mais precisas mencionam “salários acima do mercado”, ou “salários atrativos”).

Isso torna interessante (e desmistificadora) a proposta do site Glassdoor (porta de vidro). O Glassdoor se propõe a coletar e divulgar informações sobre as condições de trabalho (incluindo salários) de diversas empresas, informadas pelos próprios empregados. Para se ter informações sobre todas as empresas catalogadas pelo Glassdoor, é necessário registrar-se e fornecer informações sobre o próprio trabalho. O Glassdoor afirma ter um sistema (detalhes não foram divulgados) que filtra informações não confiáveis.

Nessa página, estão disponibilizadas (sem necessidade de registro) informações sobre os salários pagos a engenheiros de software de quatro empresas: Microsoft, Yahoo, Cisco e Google. A techcrunch visitou o site e capturou o gráfico abaixo, com comparações, para o cargo de engenheiro de software, de salários pagos por Google, Microsoft, Yahoo e Apple. Os valores referem-se ao mercado americano, mas podem servir como orientação para os valores pagos no mercado brasileiro.

salario-apple-google-yahoo-microsoft.png

Das quatro, quem paga melhor é a Google que, entre salários e bonificações, paga uma média de US$ 112 mil por ano; a seguir, vêm Microsoft (US$ 105 mil por ano), Yahoo (US$ 105 mil por ano) e Apple (US$ 89 mil por ano); se alguém estranhou o fato de a Apple ser a pior pagadora, vale a pena ler esse artigo em que o autor mostra que muito do recente sucesso da Apple é devido à economia com salários.

A Microsoft e a Yahoo pagam por volta de US$ 9 mil por mês; à primeira vista, isso parece atrativo (principalmente para um brasileiro). Entretanto, o PIB per capita americano é ao redor de US$ 45.800 (fonte: CIA); se marido e mulher trabalharem na Microsoft, e o casal tiver dois filhos pequenos, a renda média per capita da família será de US$ 52.500; isso significa que a renda do casal Microsoft será menos de 20% superior à média das famílias americanas.

É verdade que há outros fatores a considerar, tanto tangíveis (o uso do direito de opções na compra e venda de ações, stock options, que tornaram milionários todos os empregados pioneiros dessas empresas de tecnologia) como intangíveis (trabalhar numa empresa que está revolucionando a internet). Mas é difícil acreditar que esses salários tornem essas empresas os objetivos profissionais de trabalhadores capazes e ambiciosos.

E no Brasil? O PIB do Brasil é ao redor de US$ 10 mil anuais (fonte); se a Microsoft Brasil pagasse o mesmo valor em relação ao PIB que a Microsoft americana, o salário de um engenheiro de software seria ao redor US$ 24 mil. Mas, de acordo com a tabela da Info, um engenheiro de software ganhava ao redor de R$ 5.300 em 2007, o que hoje equivale a uns US$ 3.300 mensais, ou uns US$ 43.000 anuais (já incluído o 13°). Isso significa que os engenheiros da Microsoft Brasil ganham melhor, comparativamente, do que seus colegas americanos.

Mas a conclusão mais geral é: trabalhar para as grandes empresas de tecnologia não é o melhor caminho para se ficar rico.

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A Microsoft e a aposentadoria de Bill Gates

Após 27 de junho, Bill Gates deixará de ocupar o posto de chairman da Microsoft (no mundo empresarial americano, o chairman, ou Presidente, é o principal dos Diretores; os Diretores são escolhidos pelos donos das empresas - os acionistas - para traçar estratégias e zelar pelo sucesso a longo prazo da empresa; para executar as estratégias, os diretores contratam os Officers; atualmente, o principal Officer da Microsoft, o CEO Chief Executive Officer, é Steve Ballmer).

Gates deixará de comparecer diariamente à Microsoft, e passará a bill-melinda-gates-foundation.pngtrabalhar na empresa apenas um dia por semana. Gates passará a gerir a Fundação Bill e Melinda Gates, a maior fundação filantrópica do mundo (graças a, entre outras, uma doação de US$ 30 bilhões do próprio Bill, e mais uma besteirinha doada por Warren Buffet).

A Microsoft afirma que pouca coisa deverá mudar com a saída de Gates; a empresa seria tão grande e a direção tão profissionalizada que a ausência de Gates (que passou o cargo de CEO a Ballmer em 2000, e o cargo de Chief Software Architect a Ray Ozzie em 2006) teria pouco impacto nos produtos ofertados e no futuro da Microsoft.

Mas, evidentemente, há pessoas que pensam de forma distinta. Segundo a BBC, por exemplo, Gates tem uma força simbólica que nenhum discurso corporativo pode substituir. Bill Gates é o rosto, o cérebro e o coração da Microsoft; lançamentos da Microsoft são avaliados tanto pela sua usabilidade quanto pelo marketing pessoal exercido por Gates (uma técnica que foi copiada - e possivelmente melhorada - por Steve Jobs, da Apple).

Gates fundou a Microsoft para vender um software que a então poderosa IBM não quis ter o trabalho de escrever (ver história do notebook); a Microsoft suplantou a IBM. Gates criou um grupo que combinava habilidades técnicas com visão empresarial como nenhuma outra antes da Microsoft. Gates percebeu o fim da era DOS, e preparou o Windows; Gates viu que parceiros e concorrentes (como a então gigante Lotus) não conseguiam escrever aplicativos à altura do Windows, e lançou ele mesmo o pacote Office; Gates anteviu (ainda que com atraso) a grande onda internet e fincou pé nesse mercado, com servidores e aplicativos web (é fato que a maioria dos sites - inclusive este que você lê agora - utiliza softwares abertos como Linux, Apache e php, mas grandes empresas que precisam de suporte técnico com responsabilidade ainda recorrem principalmente a Windows, IIS e asp, da Microsoft). Gates não pôde evitar, entretanto, o surgimento de outra empresa que fosse tão capacitada e visionária, a ponto de ameaçar a supremacia da Microsoft.

Gates definiu a missão da Microsoft (numa época em que poucos a acreditavam realizável) como “colocar um computador em cada mesa de trabalho e em cada residência”. Se a Microsoft teve sucesso, muito dele foi devido à visão e persistência de Bill Gates. De certa forma, muitas pessoas que lêem esse post devem seus empregos (e seu modo de vida) a Bill Gates.

Atualização, 23 de junho: a revista época publicou reportagem sobre a aposentadoria de Bill Gates.

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A Asus e o sucesso do Eee PC

Em dezembro de 2007, esse blog publicou tradução de uma reportagem sobre a História do Asus Eee, em que o Presidente da Asus descrevia como surgiu a idéia de criar um sub-notebook. Hoje, apenas alguns meses após o lançamento do Eee, a máquina é um grande sucesso de vendas, e obrigou a concorrência a lançar diversos modelos similares.

Confira preços de notebooks Asus à venda no Brasil.

A Business Week publicou recentemente uma reportagem com o título “O Mini-Laptop está virando o jogo“, em que narra fatos interessantes sobre o Eee e seu impacto no mercado de notebooks, tanto no presente quanto no futuro; a seguir, tradução da reportagem.

“Enquanto fabricantes de computadores estavam, em anos recentes, buscando construir notebooks mais rápidos e poderosos, os executivos da empresa taiwanesa Asustek Computer decidiram tentar algo diferente. Eles imaginaram que algumas pessoas queriam máquinas mais simples. E eles estavam certos. Desde o lançamento em outubro do ano passado, o Eee PC - um mini-laptop que custa menos de US$ 300 - tornou-se um grande sucesso em todo o mundo. A empresa espera vender 5 milhões de unidades esse ano. “Nós mudamos os conceitos”, afirma o Chefe Executivo Jerry Shen.

Ele está mudando a percepção pública da Asustek, também. A empresa com sede em Taipei tem trabalhado por longo tempo na obscuridade que caracteriza os fabricantes de componentes de computador fornecedores das empresas de tecnologia ocidentais. A Asustek nunca construiu uma marca que se aproximasse das rivais asiáticas Lenovo e Acer. Agora, graças ao sucesso do Eee e alguns outros projetos inovadores, a Asustek tem a chance de entrar na liga dos times grandes. A empresa, que vende seus produtos nos Estados Unidos através de cadeias como Amazon e BestBuy, já ocupa a sexta posição no ranking mundial de vendedores de notebooks, e espera estar entre os Top 3 até 2013; atualmente, os líderes do mercado são HP, Dell e Acer.

Para diferenciar a Asustek de outras empresas taiwanesas, Shen e seu chefe, o Presidente Jonney Shih, têm concentrado esforços em design. Em janeiro a empresa desmembrou a divisão de manufatura e reforçou a equipe de design. Ano passado Shih contratou Lee Kuo-Kun, professor de uma escola de belas artes local, para ser consultor. Os dois se encontram todos os meses no escritório de Shih para tomar café, chá verde e discutir longamente sobre estética, filosofia e tecnologia. “Tudo na vida é arte”, diz Lee.

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Muitos dos designs da Asustek são voltados para mercados de nicho. A empresa trabalha junto com a Lamborghini para produzir uma série de notebooks feitos com os mesmos materiais empregados nos carros esportivos da empresa italiana. Os designers da Asustek afirmam que eles foram os primeiros a projetar notebooks cobertos com couro, e em março eles apresentaram uma máquina com exteriores todo em bambu, destinados a consumidores ecológicos. A intenção, afirma o projetista chefe Jimmy Chu, “é transformar o notebook de uma ferramenta de produção em um item pessoal”.

A Asustek ainda enfrentará alguns desafios antes de se tornar membro da elite da indústria. Algumas pessoas afirmam que o sucesso do mini-laptop poderia diminuir a lucratividade da empresa, que no ano passado vendeu US$ 24.9 bilhões e lucrou US$ 910 milhões. O Instituto de Pesquisas Daiwa estima que as margens de lucro do Eee estejam entre 10 e 15%, enquanto as margens para a companhia como um todo estejam ao redor de 21,5%. Com HP, Acer e Dell adentrando o mercado, as margens devem cair. “O Eee PC é uma inovação significativa no mercado de PCs”, diz a Daiwa, “mas é improvável que seu sucesso seja sustentável”.

Analistas se questionam também se os consumidores em geral não verão os mini-laptops como equipamentos limitados. O Eee PC permite que usuários conversem, leiam e-mails e naveguem pela internet, mas não é capaz de rodar os jogos mais modernos ou enviar vídeos. “Pode ser uma moda passageira”, afirma um analista da IDC.

Shen e os outros diretores da Asustek entendem essas preocupações. A companhia recentemente lançou uma versão melhorada do Eee, com uma tela mais larga e mais recursos. E para vencer a concorrência crescente, os taiwaneses planejam utilizar design artístico e inovação tecnológica para se manterem adiante. Shen diz: “Nós somos capazes de liderar o mercado”.

Confira preços de notebooks Asus à venda no Brasil.

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HP Voodoo

A HP anunciou hoje o lançamento do notebook HP Voodoo Envy 133 (voodoo significa vudu em Português, e Envy significa inveja); o Voodoo é claramente um concorrente do MacBook Air, da Apple.

hp-voodoo.jpgO Voodoo pesa 1.54 kg e tem espessura de 0.7 polegadas ( 1,8 cm), o que o torna, de certa forma, mais fino que o MacBook Air (que mede 0.76 polegadas na parte mais larga e 0,16 polegadas na parte mais fina).

Outras semelhanças com o Air: processadores Intel, tela de 13,3 polegadas, touchpad inteligente, ausência de drives ópticos, portas USB e HDMI, conectividades wi-fi e bluetooth. Como diferenciais, o Voodoo apresenta conectividade pronta para 3G e possibilidade de trocas de baterias.

Preço informado: US$ 2.100, nos Estados Unidos (hoje, o preço do MacBook Air está ao redor de US$ 1.800 - confira preços do MacBook Air à venda no Brasil).

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O cubo mágico e o algoritmo de Deus

Resolver o cubo mágico é um passatempo desafiante, entre outros motivos, porque as regras são simples e claras e o objetivo é bem definido, o que dá muito espaço para a inteligência e pouco espaço para trapaça; é evidente, por exemplo, que o campeão mundial de resolução do cubo de olhos vendados (filme abaixo) tem algum tipo de habilidade intelectual.

Resolver o cubo não é fácil. Alguns sites propõem-se a ensinar a solução, como esse site em inglês e esse outro em Português.

Algumas pessoas não se contentam em resolver o cubo; para alguns matemáticos, o objetivo é encontrar um algoritmo que, a partir de qualquer situação inicial, encontre os passos que permitam chegam à solução. O algoritmo que não apenas resolve o cubo, mas o faz no menor número possível de passos (giros no cubo), é chamado algoritmo de Deus, porque reproduz o caminho que um ser onisciente adotaria para resolver o problema da forma mais simples possível.

Tomas Rokicki, um matemático da Universidade de Stanford, é um desses fascinados pelo cubo. Há alguns meses, ele havia demonstrado que é possível resolver qualquer cubo mágico em no máximo 25 passos. Rokicki não cria propriamente um algoritmo de solução de cubos; o que ele faz é criar algoritmos computacionais que testam um número enorme de possíveis soluções, descartam as soluções não-ótimas e registram os passos para a solução ótima (com menor número de passos). Rokicki havia utilizado 1500 horas de processamento de uma CPU Q6600 (Pentium Quadcore) 1,6 GHz para chegar às soluções em 25 passos.

Há alguns dias, Rokicki afirmou que, após conseguir algum tempo de CPU emprestado da Sony Picture Imageworks (enquanto as máquinas não estavam ocupadas gerando efeitos especiais para Homem-Aranha 3), ele já pode afirmar que qualquer cubo mágico pode ser resolvido em não mais que 23 movimentos.

Já sabemos que Deus resolveria o cubo em, no máximo, 23 movimentos. Rokicki acredita que Deus é um pouco mais inteligente, e seu objetivo agora é baixar aquele número para 21 movimentos (alguém avisou a ele que, se precisar, a Amazon aluga recursos computacionais).

Compare preços do cubo mágico no Buscapé.

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Asus Eee PC como brinde

À época em que a telefonia celular foi instalada no Brasil, havia poucos modelos de aparelhos à venda, custavam caro e eram, vistos hoje, obsoletos; mesmo assim, os consumidores os compravam com avidez. Com o passar do tempo, o mercado de aparelhos se expandiu, a oferta cresceu, e os usuários passaram a se importar muito mais com os serviços prestados do que com os aparelhos utilizados; freqüentemente, o aparelho é dado como brinde, como forma de fidelizar usuários aos serviços.

Algo similar provavelmente ocorrerá no mercado de sub-notebooks ultra-portáteis, os netbooks.

O Asus Eee PC foi lançado há menos de um ano e se tornou o padrão de mercado; a cada poucas semanas, é lançado um novo ultra-portátil, e a comparação inevitável é “uma máquina semelhante ao Asus Eee PC”. Tal qual ocorreu outrora com os celulares, a competição acirrada derrubará os preços e as margens de lucros; vender um Eee será pouco interessante para pequenos varejistas.

O que acontecerá com o mercado de Eees? O mesmo que aconteceu com o mercado de celulares. Algumas grandes empresas compram grandes lotes de máquinas a preços reduzidos e as utilizam como chamariz para a venda de outros serviços (esses sim, que agregam valor e trazem lucros).

Exemplos? A Power Up Mobile, operadora de celular da Inglaterra, já oferece Eees como brinde para quem assinar contratos de dois anos, e o Royal Bank do Canadá dá Eees para novos clientes.

É questão de tempo até que a Tim ou a Claro ofereçam a maquininha para os clientes de seus (ainda caros) serviços 3G.

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