A internet e o padrão IPv6
Um artigo da ars technica informa que, em 4 de fevereiro de 2008, alguns servidores DNS já estarão trabalhando com o padrão IPv6. É um passo fundamental para o crescimento da computação móvel.
Toda a internet funciona graças a uma metodologia de transmissão e recepção de dados (um protocolo) chamado TCP/IP. Simplificadamente falando, o TCP garante que a informação seja desmontada na origem e remontada fielmente no destino, enquanto o IP garante que a informação viaje corretamente entre a origem e o destino.
Para que a informação viaje corretamente, cada máquina (tanto a máquina de origem, como a de destino, como as intermediárias) recebe uma identificação, o endereço IP; para que não haja dúvidas quanto ao destino da informação, o endereço IP deve ser único, ou seja, não pode haver duas máquinas na internet com o mesmo IP (quando se configura uma rede doméstica ou uma LAN, é o roteador, que faz a comunicação com a internet, quem tem IP único).
O IP atualmente obedece ao padrão IPv4, que tem quatro blocos de 8 bits cada um; um IP é da forma 200.180.110.050. Com essa estrutura, é possível obter um total de pouco mais de 4 bilhões de diferentes IPs distintos; esses quatro bilhões de IPs devem ser distribuídos para todos os computadores presentes na internet (servidores, clientes, roteadores, etc). Esse número era mais do que suficiente para atender as necessidades dos primórdios da internet; entretanto, com a crescente expansão do número de máquinas, a escassez de IPs disponíveis começou a tornar-se preocupante.
Com o IPv6, cada endereço IP será composto de 16 blocos de 8 bits, ou seja, um endereço IPv6 será composto por 128 bits. Existirão, portanto, 2 elevado a 128 diferentes endereços IPv6, ou seja, um total absurdamente grande de 10 elevado a 38 endereços (cada átomo do Universo poderia ter seu próprio IP).
Isso significa que, por todo o futuro previsível, o mundo terá fartura de IPs. Isso pode acarretar uma série de mudanças.
Cada computador (desktop ou notebook) poderá ter seu próprio IP; o IP poderá até ser configurado na própria fábrica, como acontece hoje com os endereços MACs das placas de rede (ver discussão nos comentários); com isso, cada máquina passa a ser identificável pelo respectivo IP.
Cada smartphone ou telefone celular poderá ter seu próprio IP; isso expandiria muito a conectividade desses aparelhos, pois a troca de dados poderia ser feita pelo robusto e conhecido protocolo TCP/IP.
Na verdade, cada aparelho na face da terra poderia ter seu próprio IP. TVs, geladeiras, luzes, condicionadores de ambiente, etc. poderiam formar uma rede doméstica que seriam programáveis e controláveis à distância. Carros poderiam ter IPs que, acoplados a um GPS, os tornariam facilmente rastreáveis.
Com o IPv6, um novo mundo se abre.
Atualização, 5 de fevereiro de 2008: a ICANN confirmou que seis dos treze servidores raiz DNS passaram a operar em IPV6.

Falto dizer que no IPv6 cada bloco não é representado por numeros decimais, e sim por numeros hexadecimais de quatro digitos, indo de 0000 até ffff.
Diferente do mac address o endereço IP é hierarquico. Não acho possível que ele venha de fábrica…
Carlos,
Não seria de 00 a ff? Em decimal, isso significa de 0 a 255.
Fabio,
Na verdade, essa hipótese (IP de fábrica) foi apenas uma divagação. Eu estava pensando mais no fato de que, hoje, muitos IPs ainda são dinâmicos, justamente porque os provedores têm que lidar com a escassez; com a fartura de IPs, todo mundo poderia ter um IP fixo.
Acho que você está certo quanto à hierarquização; no futuro previsível, é inviável tentar alterá-la.
Nota para outros leitores: os IPs são distribuídos segundo regras hierárquicas; uma entidade (a IANA http://www.iana.org/ ) distribui grandes blocos de IPs específicos para as diversas regiões do mundo; dentro de cada região, outras entidades fazem nova distribuição dos IPs (no Brasil, se não me engano, é o Comitê Gestor da Internet http://www.cgi.br/ ); o elo final da distribuição de IPs são os provedores de acesso (a Terra, por exemplo, recebe um lote de IPs e os distribui entre seus assinantes)
Obrigado pelo comentário.