A Microsoft e a aposentadoria de Bill Gates



Após 27 de junho, Bill Gates deixará de ocupar o posto de chairman da Microsoft (no mundo empresarial americano, o chairman, ou Presidente, é o principal dos Diretores; os Diretores são escolhidos pelos donos das empresas - os acionistas - para traçar estratégias e zelar pelo sucesso a longo prazo da empresa; para executar as estratégias, os diretores contratam os Officers; atualmente, o principal Officer da Microsoft, o CEO Chief Executive Officer, é Steve Ballmer).

Gates deixará de comparecer diariamente à Microsoft, e passará a bill-melinda-gates-foundation.pngtrabalhar na empresa apenas um dia por semana. Gates passará a gerir a Fundação Bill e Melinda Gates, a maior fundação filantrópica do mundo (graças a, entre outras, uma doação de US$ 30 bilhões do próprio Bill, e mais uma besteirinha doada por Warren Buffet).

A Microsoft afirma que pouca coisa deverá mudar com a saída de Gates; a empresa seria tão grande e a direção tão profissionalizada que a ausência de Gates (que passou o cargo de CEO a Ballmer em 2000, e o cargo de Chief Software Architect a Ray Ozzie em 2006) teria pouco impacto nos produtos ofertados e no futuro da Microsoft.

Mas, evidentemente, há pessoas que pensam de forma distinta. Segundo a BBC, por exemplo, Gates tem uma força simbólica que nenhum discurso corporativo pode substituir. Bill Gates é o rosto, o cérebro e o coração da Microsoft; lançamentos da Microsoft são avaliados tanto pela sua usabilidade quanto pelo marketing pessoal exercido por Gates (uma técnica que foi copiada - e possivelmente melhorada - por Steve Jobs, da Apple).

Gates fundou a Microsoft para vender um software que a então poderosa IBM não quis ter o trabalho de escrever (ver história do notebook); a Microsoft suplantou a IBM. Gates criou um grupo que combinava habilidades técnicas com visão empresarial como nenhuma outra antes da Microsoft. Gates percebeu o fim da era DOS, e preparou o Windows; Gates viu que parceiros e concorrentes (como a então gigante Lotus) não conseguiam escrever aplicativos à altura do Windows, e lançou ele mesmo o pacote Office; Gates anteviu (ainda que com atraso) a grande onda internet e fincou pé nesse mercado, com servidores e aplicativos web (é fato que a maioria dos sites - inclusive este que você lê agora - utiliza softwares abertos como Linux, Apache e php, mas grandes empresas que precisam de suporte técnico com responsabilidade ainda recorrem principalmente a Windows, IIS e asp, da Microsoft). Gates não pôde evitar, entretanto, o surgimento de outra empresa que fosse tão capacitada e visionária, a ponto de ameaçar a supremacia da Microsoft.

Gates definiu a missão da Microsoft (numa época em que poucos a acreditavam realizável) como “colocar um computador em cada mesa de trabalho e em cada residência”. Se a Microsoft teve sucesso, muito dele foi devido à visão e persistência de Bill Gates. De certa forma, muitas pessoas que lêem esse post devem seus empregos (e seu modo de vida) a Bill Gates.

Atualização, 23 de junho: a revista época publicou reportagem sobre a aposentadoria de Bill Gates.

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