A obsoleta burocracia da internet no Brasil

O domínio desse blog foi registrado como .com, e não .com.br.

O principal motivo é que os órgãos que regulamentam a internet no Brasil são extremamente burocráticos e obsoletos; é muito mais fácil para um webmaster brasileiro registrar e manter um domínio .com do que um .com.br.

No Brasil, a regulamentação da internet é feita pelo Comitê Gestor da internet (cgi.br), e o registro de domínios é monopolizado pelo registro.br. São ambos órgãos estatais, geridos por servidores públicos (com estabilidade no emprego, sem motivação para satisfazer clientes). No caso de domínios .com, a regulamentação é feita por um órgão independente chamado ICann; o registro de domínios pode ser feito por grande número de registradores, que competem entre si para oferecer melhores preços e serviços aos clientes.

No Brasil, um domínio .com.br custa R$ 30 (US$ 18) por ano; um .com pode ser registrado por até US$ 12 por ano (o notebooks-site.com foi registrado na dotster.com, por US$ 15 ao ano). No Brasil, o pagamento deve ser feito ano a ano; um .com pode ser pré-pago por até 100 anos. No Brasil, a hospedagem deve ser contratada antes de se registrar o domínio; no exterior, pode-se registrar o domínio primeiro e criar o site mais tarde.

Desde 1 de maio desse ano, tornou-se possível registrar um domínio .com.br utilizando-se o CPF como informação cadastral; antes disso, uma pessoa no Brasil que acreditasse ter alguma informação a adicionar ao mundo pela internet teria que primeiro abrir uma empresa, obter um CNPJ, e apenas então registar seu domínio .com.br.

Isso explica por que tantos sites no Brasil registram um domínio .com, em vez de um .com.br. A cgi.br e seus burocratas comemoram o fato de que estamos próximos da marca de 1.2 milhão de domínios .com.br. A GoDaddy, sozinha, já registrou mais de 21 milhões de domínios.

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6 Responses to “A obsoleta burocracia da internet no Brasil”

  1. É muito burocratico mesmo. Eu uso o .com e pago singelos 7 dolares por ano no domainsite. Coisa para gringo ver

  2. Eu passei por caso parecido. O responsável pelo site da minha empresa saiu da empresa e não nos passou a senha do usuário controlador do domínio.
    Até que eu conseguisse alterar o usuário controlador, tive que enviar cartas à registro.br, com uma série de documentos (contrato social da empresa, CPF, cópia de documentos, etc.). Após isso, quase um mês depois, o domínio foi passado ao meu usuário.
    1 mês!!!!!!!! Inadmissível isso!

  3. Realmente um absurdo.
    Entrando em outra área, sou completamente a favor da privatização dos serviços.
    Não adianta falar que é obrigação do Governo Federal prover serviços básicos porque nada mudará.
    Já com a privatização, sim.
    A favor das privatizações rodoviárias, a favor da privatização da saúde, a favor da privatização das estatais.

  4. Ah, esqueci de dizer:
    Parabéns pelo BLOG cara!
    Já li muitos artigos interessantes aqui!
    Inclusive me ajudou muito na compra de meu notebook!
    Valeu!

  5. Concordo com você sobre o monopólio, sobre a qualidade no serviço e sobre o preço. Mas no registro.br sempre foi possível comprar um domínio desde que se tivesse um CNPJ, antes de contratar um provedor de hospedagem. Eu mesmo já cheguei a contratar dessa forma.
    E agora que eles mudaram a política com CNPJ, permitindo CPF, é a mesma coisa, eu fiz isso semana passada, contratei o serviço de hospedagem 2 dias depois. O único problema de registrar um site .com.br antigamente era você usar o CNPJ da empresa de hospedagem e ficar preso a ela quando quisesse trocar.

  6. “… São ambos órgãos estatais, geridos por servidores públicos (com estabilidade no emprego, sem motivação para satisfazer clientes).”

    Essa informação esta errada.

    O CGI.br é formado tanto por pessoas do governo quanto por pessoas da área privada e academica.
    http://www.cgi.br/sobre-cg/definicao.htm

    O Registro.br é um setor do Nic.br que é uma entidade civil.
    http://nic.br/sobre-nic/index.htm

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