Evolução dos notebooks - fotos.
As fotos abaixos, mostrando três notebooks que eu possuí, permitem uma comparação entre três gerações de notebooks.


Da esquerda para a direita, ou de baixo para cima, os modelos são: Dell D520 (comprado esse ano), Toshiba Satellite 1800-S207 (comprado em 2002), e Toshiba Satellite T1950CT (comprado em 1995).
O Satellite T1950CT custou US$ 3.000, mais US$ 300 pela placa fax-modem PCMCIA de 14.4 kbps (que eu utilizei para acessar alguns servidores gopher e ftp; o vendedor me ofereceu um tal de Mosaic, mas ele não era muito útil, pois a www estava ainda em construção). Tinha 4 MB de memória e um HD de 130 MB. Vinha com Windows 3.1 instalado. A tela tinha 10 polegadas; o “T” da especificação significa que ele tinha tela de matriz ativa; um modelo “S”, com tela de matriz passiva (que hoje não existe mais), custaria uns US$ 500 a menos.
Àquela época, não existiam “notebooks básicos”; notebooks eram ferramentas de profissionais, e custavam caro; uma etiqueta no fundo da máquina informava: “Produto do Japão, montado nos Estados Unidos, com componentes domésticos e importados”. Mas por outro lado, como era para poucos clientes, todos os fabricantes se esmeravam para tornar seus produtos práticos e atrativos.


O 1950CT tinha acabamento cuidadoso. A navegação era feita por uma trackball, que era encaixada na lateral (a trackball era feita de material diferente, por isso a coloração ficou diferente ao longo dos anos). Havia um drive para disquete de 3 1/2 polegadas, entradas/saídas para placas PCMCIA, monitor externo, mouse e teclado externo, uma saída serial e uma paralela.


As duas fotos acima mostram o cuidado da Toshiba com o design. Na foto do topo, estão mostradas a abertura para placas PCMCIA (à direita, com a placa de fax modem encaixada) e o encaixe para a trackball. Na foto da baixo, foi deslizada a janelinha que protege os conectores de mouse e teclado externo; note que, ao se abrir o acesso a esses periféricos, o acesso ao conector da trackball fica automaticamente bloqueado.
O Toshiba T1950CT funcionou sem absolutamente nenhum problema, seja de hardware ou software, até meados de 1999. Em 1995, havia uma disputa pelos poucos desktops que existiam no local em que eu trabalhava; à medida em que o número de desktops crescia (assim como seu poder de processamento), o T1950CT tornava-se menos necessário (e mais obsoleto). Em 1999, já havia um desktop por funcionário, e o T1950CT foi aposentado.
Em 2002, quando resolvi comprar outro notebook, lembrei-me da altíssima confiabilidade da Toshiba. O mercado já oferecia mais opções (fiquei em dúvida entre três ou quatro máquinas), mas não havia ainda notebooks populares. O Satellite S207 custou R$ 4.200 (o dólar estava por volta de R$ 3); era uma máquina importada (Made in The Philippines), e foi comprado pela internet em uma loja brasileira.
Especificações: Windows XP, tela de 14.4″, processador Celeron 1.04 GHz, 128 de RAM, HD de 30 GB. Ainda tinha drive de disquetes, mas também um gravador de CD/leitor de DVD; ainda tinha porta PCMCIA, saídas serial e paralela e de vídeo, mas já vinha com duas portas USB. Não tinha wi-fi, mas tinha porta ethernet e (estou reparando agora, nunca utilizei) bluetooth.


As manchas ao redor do touchpad foram causadas pelo efeito prolongado do ácido úrico contido no suor das palmas das mãos. O design não era tão primoroso quanto o do T1950, mas ainda assim era cuidadoso. Os botões na parte frontal visavam a facilitar a execução de músicas diretamente do drive de CD.

O S207 também mostrou-se confiável, tanto em hardware como em software. Em 2005, quando seu desempenho já começava a deixar a desejar, uma grande oscilação de energia elétrica causou a queima da fonte; uma fonte nova custava R$ 600, e eu tive que comprar uma usada, por R$ 200.
Após colocar a nova fonte, constatei que diversos setores do HD haviam sido danificados, o que inutilizou o HD. Consegui trocar o HD duas vezes (descobri que não é fácil encontrar HDs compatíveis), mas o desempenho nunca voltou a ser o que era. O S207 agora serve para aprendizado de Linux e Ubuntu.
E finalmente chegados ao Dell D520, comprado há alguns meses, após algumas semanas pesquisando dezenas de modelos. Pretendo publicar uma resenha mais detalhada posteriormente, mas desde já vão alguns comentários.
A oferta de notebooks cresceu muito rapidamente nos últimos anos; atualmente, encontram-se máquinas variando de pouco mais de R$ 1.000 a mais de R$ 10.000; não se passa uma semana sem que um dos grandes fabricanes apresente uma inovação.
O D520 é uma máquina mediana, tanto em especificações quanto em preço; não apresenta as mais recentes inovações, mas não utiliza componentes próximos à obsolescência; custou ao redor de R$ 3.000, comprada no Brasil, com garantias.

Mas é fácil notar que o acabamento do D520 é muito inferior ao dos antigos Toshiba. O gabinete é simples, sem nenhum detalhe rebuscado (enquanto o Toshiba S207 tinha uma tampa com dois materiais, o D520 tem apenas uma plaquinha com o nome Dell); a máquina tem mais recursos e portas, mas eles foram dispostos burocraticamente onde quer que houvesse espaço; o teclado, o monitor, e até a fonte mostram que o projeto foi feito para que a máquina funcione, não mais do que isso; um pequeno balançar na máquina mostra que o cuidado tomado no projeto e montagem foi não mais que o mínimo necessário para impedir que o conjunto se desmanche.
É claro que é possível encontrar máquinas muito mais sofisticadas, como a própria linha Dell XPS (preços a partir de R$ 10.000). Mas o relato acima mostra que notebooks estão se tornando uma commodity, e estão sendo vistos como tal pelos fabricantes (e isso tem seu lado bom e lado ruim); é possível conseguir produtos melhores (aliás, é cada vez maior a gama de ofertas), mas os preços serão diferenciados (em outras palavras: não há milagres, qualidade custa caro).
Leia também: História dos notebooks.
