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Fabricantes de notebooks: ODMs e OEMs

Fabricantes de notebooks: ODMs e OEMs

Ao observar o novo Itautec 7645, uma coisa que chama a atenção é que o modelo tem exatamente o mesmo design que o Itautec 7635, que foi lançado um ano antes. Será que a Itautec e outros fabricantes de notebooks não sabem, como os fabricantes de carros, que têm que fazer algumas alterações no projeto, ainda que puramente cosméticas, para que um produto seja visto como “novo” pelos consumidores?

O problema, no caso da Itautec e outros pequenos “fabricantes”, é que eles não têm muita escolha.

Existem dois grandes grupos envolvidos no projeto de um notebook.

O primeiro grupo é o dos Original Design Manufacturers (ODM - Manufaturador de Projetos Originais). Os ODMs são responsáveis por produzir os chamados barebone systems ou barebones (”puro osso”), que compreendem pouco mais que o gabinete com teclado, a placa-mãe, a fonte e o display; note-se que muito da aparência do notebook já é definido nesse estágio.

Como mencionado nesse post, quase 90% dos notebooks vendidos no mundo são montados por apenas um punhado de ODMs, com nomes de que os consumidores raramente escutam falar. O maior ODM do mundo em 2006 era a Quanta (que montou 33% dos notebooks vendidos no mundo naquele ano); outros membros do grupo são Compal (ver página de ODM da Compal), Clevo, Wistrom, Arima, Inventec, Mitac e Uniwill. A Asus costumava também ser protagonista desse grupo, mas desde o sucesso do Eee PC tem ganhado espaço entre os vendedores ao consumidor (segundo o presidente da empresa, um dos propósitos do projeto do Eee foi justamente alavancar a Asus para fora do bloco de meros montadores de placas).

Interessante observar que praticamente todos os ODMs localizam-se na China e em Taiwan, em razão do baixo custo de mão de obra. Esses países têm a moeda atrelada ao dólar, e isso explica em grande parte a queda dos preços dos notebooks em dólar e em reais (fossem os ODMs localizados no Japão ou na Europa, os preços teriam subido em dólar e caído menos em reais).

O segundo grupo no processo de montagem dos notebooks é o dos Original Equipment Manufacturers (OEM - Manufaturador de Equipamentos Originais). Os OEMs compram os bare-bones e adicionam processadores e chips, memória, HD, drive óptico e software, e revendem aos consumidores, seja diretamente ou via distribuidores. Quem são os OEMs? Nomes famosos, como Dell, HP, Lenovo, Toshiba, etc. E também nomes menos conhecidos, como Itautec, Positivo, Plugtech, Amazon (o fabricante de notebooks, não o mega-site).

Quer dizer que, já que o ODM é o mesmo, podemos esperar a mesma qualidade de um notebook da Dell e um da BrasNotes *? Não. *nome fictício

A Dell diz ao ODM como ela quer que o bare-bone Dell seja montado (é fácil ver que um modelo como o XPS 1330 recebeu significativos investimentos em design), controla a qualidade dos componentes incorporados, treina seu pessoal com vistas à qualidade, etc; ou seja, a Dell impõe ao ODM os seus padrões de qualidade. A BrasNotes, por outro lado, perguntará à ODM qual o modelo de bare-bone mais barato, agregará chips mais baratos (e obsoletos) e investirá em propaganda, focando principalmente o consumidor que se preocupa principalmente com o preço (provavelmente, foi por isso que a Itautec resolveu encomendar o 7645 com exatamente o mesmo gabinete que o 7635).

E qual desses notebooks é melhor? Depende das necessidades do consumidor.

Da mesma forma que há fabricantes de carros de luxo e há fabricantes de carros básicos, existem também os fabricantes de notebooks de ponta e os fabricantes de notebooks básicos. A diferença que existe é que no mercado de carros os consumidores sabem avaliar o de que precisam e o que estão comprando, enquanto no incipiente mercado de notebooks muitas pessoas, por desinformação, ainda podem tomar decisões erradas.

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6 Responses to “Fabricantes de notebooks: ODMs e OEMs”

  1. Conhecia a política, mas não os detalhes.
    Muito informativo.

  2. Concordo com você sobre o consumidor ser lesado muitas vezes justamente porque o “fabricante” usa o mesmo design em modelos diferentes, mas pera la, ao menos se pede um mínimo de observação de que compra algo, quanto ao mesmo design acho que bastando ter algo que indique como etiquetas postas pelo fabricante e uma folha com as características já ajuda, por exemplo, já vim computadores da positivo com características bem diferentes mas da mesma linha e tinha o mesmo design.

  3. porque será que quando vemos um Sony Vaio, literalmente babamos e quando vemos um CCE ou Itautec, viramos o rosto ?

  4. O Sony Vaio tem a fama de seus notebooks poderosos fabricado com Fibra de Carbono e os design são espetaculares sem falar nos componentes que agregam neles…já os CCE ou ITAUTEC são notebooks basicos voltado para usuário de primeira viagem,esses fabricantes acabam juntando os componentes mais basicos no mercado…minha opinião como usuário isso é relativo vai depender da necesidades de uso de cada um.

  5. Você esqueceu de falar sobre a diferença de qualidade e durabilidade entre um notebook “genérico” e um Dell, Toshiba ou HP.
    Sou técnico e vejo que esses genéricos constantemente apresentam problemas na tela, teclado e placa-mãe enquanto os de boa marca duram muitos anos. Então não é só uma questão de optar pelo que mais se encaixa para um ou outro cliente, tem a ver com produtos bons e produtos ruins!

  6. Emerson Andrade on January 16th, 2011 at 2:28 am

    Olá pessoal!

    Muito legal essa matéria, alias, este blog é show de bola!!! Estou acessando pela primeira vez e estou gostando muito.. Parabens!

    Tenho a mais de um ano um notebook CCE Win, bem básico, Celeron M 2GHz 1GB de ram, 120GB de HD, que para a minha necessidade atende super bem, exceto pelo fato de não possuir HDMI e ter pouco autonomia da bateria e por isso venho pesquisando para comprar outro.

    Já venho observado como muitos modelos de notebooks possuem a mesma carcaça do meu CCE, mas são de outros fabricantes que somente adicionam o “recheio” nela; deve ser por isso que o meu notebook apresentou uma rachadura no local da dobradiça, na perte externa da tela, porém continua funcionando normalmente.

    Lendo essa matéria e os comentários me veio uma dúvida intrigante:
    Porque um notebbok como o CCE T74P64+ c/ Intel Core i7-620M, 4GB, 640GB, Gravador de DVD, Leitor de Cartões, Webcam, HDMI, LED 14″ e Windows 7 é vendido por 2084 reais e um notebook de configuração semelhante: HP EliteBook 8440W c/ Intel Dual Core i7-620M, 4GB, 320GB, Gravador de DVD, LED 14″ e Windows XP) custa 5000 reais???? Alguem consegue explicar isso? Será que o “recheio” do CCE é tão ruim a ponto de justificar uma diferença de 3mil rais???? Ou será que a carcaça do HP é de Adamantium (risos)? Até que ponto precisamos nos informar para sabermos identificar o AGIO e o LOBE e deixarmos de comprar somente a marca, passando a comprar realmente o notebook pelo valor justo?

    Gostaria muito de ler um argumento que me convencesse a não comprar o CCE. É dificil entender algumas coisa no munda da informática, este blog tem ajudado a entender muitas delas.

    Somente para constar, as configurações e preço dos 02 modelos apresentados foram obtidos no site das Casas Bahia.

    Obrigado!

    Emerson Andrade (analista de sistemas, Salvador-BA)

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