Games on line crescem no Brasil
Sem grande alarde, o setor de jogos e entretenimento digital no Brasil está passando por uma revolução. A cada dia, pessoas de ambos os sexos e todas as faixas etárias descobrem que o conjunto internet + banda larga +computador oferece uma excelente opção de lazer: os jogos massivos multijogadores online, também conhecidos como MMOs (massive multiplayer online games).
O interesse por esse tipo de diversão está em crescimento. Em dezembro de 2006, cinco das principais empresas que atuam nesse segmento - Gamemaxx, Gunsoft, Kaizen Games, Level Up e OnGame - mantinham 8 jogos desse tipo no Brasil, com 5 milhões de jogadores. Em dezembro de 2007, já eram 15 jogos, com 10 milhões de jogadores - um aumento de 100% em apenas um ano.
Os MMOs são jogados via internet e podem congregar milhares de pessoas simultaneamente nos chamados universos persistentes - mundos virtuais criados especialmente para cada um dos jogos, cada qual com regras e objetivos próprios. Há jogos massivos do gênero role-playing games (RPGs), estratégia e até dança, por exemplo; com essa diversidade, não é difícil para o internauta encontrar um jogo que o agrade.
Além disso, os MMOs são muito acessíveis. Não é necessário ir até uma loja e comprar o jogo - o programa (client) está disponível na internet e pode ser baixado gratuitamente. A instalação e o próprio modo de jogar são em geral simples, dispensando conhecimentos técnicos e habilidades especiais.
Os MMOs democratizam esse tipo de entretenimento, pois são acessíveis a qualquer pessoa. Melhor ainda: são uma diversão em grupo. Os videogames e jogos tradicionais para computador são muitas vezes atividades solitárias - o jogador contra a máquina; em alguns casos, e com algum conhecimento técnico, é possível criar uma pequena rede local para se jogar com uns poucos amigos.
Já os jogos massivos online envolvem centenas, milhares de pessoas simultaneamente. Os jogadores interagem o tempo todo, o que ajuda até os novatos. Ninguém precisa perder tempo lendo e decorando regras. Basta entrar no mundo virtual do jogo e perguntar o que fazer para outras pessoas que estão conectadas naquele momento. Sempre há jogadores dispostos a explicar.
Nos Estados Unidos, já são organizadas grandes convenções em torno de um determinado jogo, em que o principal objetivo é promover o contato real entre os participantes. No Brasil, esses encontros também já acontecem, embora em menor escala. Algumas dessas reuniões são uma espécie de reedição contemporânea dos antigos bailes de máscara: os jogadores vão caracterizados como seus personagens (avatares). E as surpresas são inevitáveis: por trás da máscara de uma guerreira poderosa, pode estar uma dona de casa. Estudantes e profissionais experientes das mais diversas áreas confraternizam sem barreiras de idade, sexo ou classe social, porque estabeleceram laços num ambiente em que a personalidade e a performance como jogador contam muito mais do que qualquer característica sócio-econômica.
A popularização dos MMOs está agradando também às empresas. Um dos motivos pelos quais os jogos para computador no Brasil nunca alcançaram o mesmo desempenho em vendas que em outros países é o preço. Considerados caros pelo consumidor brasileiro, os jogos passaram a ser pirateados numa escala que praticamente inviabiliza a operação legal no país. Hoje, de cada 20 jogos vendidos no Brasil, 19 são piratas.
Com os jogos massivos online, isso não acontece, pois o modelo de comercialização é diferente. A receita não advém da venda do programa em si, que é disponibilizado gratuitamente, mas sim de receitas indiretas: assinaturas, venda de itens e publicidade.
No modelo de assinatura, o internauta pode jogar gratuitamente por um determinado período de avaliação; se gostar do jogo, ele faz uma assinatura que libera seu acesso às arenas virtuais. A venda de itens é uma outra forma de gerar receita para o produto: os itens são atributos que podem ser incorporados ao personagem, como roupas, acessórios, veículos ou armas. Já a publicidade nos MMOs funciona como a propaganda na TV aberta: alguns patrocinadores compram espaço na arena e exibem suas mensagens aos jogadores, que nesse caso jogam de graça.
Visite a wikipedia para uma lista atualizada dos mais populares jogos online.
