Google Health - Prontuário médico on-line - Até onde a Google vai?
A Google anunciou ontem, discretamente, o lançamento de um novo serviço: Google Health.
O Google Health permitirá ao usuário coletar, armazenar, gerenciar e compartilhar informações sobre sua saúde. Da página de perguntas freqüentes: “P. Que tipo de informações eu posso armazenar em Google Health?
R. Você pode armazenar o tanto de informação que quiser, muita ou pouca. A escolha é toda sua. Você pode armazenar registros de medicamentos utilizados - agora e no passado, alergias, vacinas, internações, resultados de testes. Você pode armazenar suas próprias informações, ou importá-las de instituições associadas ao Google Health, como hospitais e médicos”.
Ou seja, em vez de se ter um prontuário disperso entre diferentes hospitais e médicos, como hoje, o Google Health permitirá a construção gradual do prontuário integral de uma pessoa. Uma carteira de saúde eletrônica, abrangente e permanentemente acessível. Ao ser atendido por um cardiologista daqui a trinta anos, o médico saberá o que o pediatra e o dermatologista diagnosticaram no passado, como foram os tratamentos, como foi a reação do paciente; de posse dessas informações, o cardiologista poderá seguramente indicar o tratamento mais indicado para a situação específica do paciente (e sequer estamos falando, ainda, de mapeamentos genéticos e que tais).
Mas aí vem outra pergunta: até onde a Google irá, nesse processo de coletar informações pessoais sobre os usuários de seus serviços?
A cada vez que utilizamos os serviços de busca, mail, mapas, videos, relações sociais, etc. da Google, estamos dando a ela pequenos pedaços de informações sobre nossas necessidades, interesses, motivações, etc (grosso modo: nossas ideologias); agrupando-se esses pequenos pedaços, pode-se conhecer muito sobre o modo de pensar e viver das pessoas - e a Google utiliza isso para vender anúncios de produtos e serviços correlatos ao perfil do usuário.
Com Google Health, a Google conhecerá também a saúde dos usuários - informação extremamente pessoal. A empresa afirma que “nunca venderemos informações pessoais sobre sua saúde, e nunca compartilharemos informações ou dados com outras pessoas ou instituições, a menos que você nos autorize explicitamente ou em certas condições especiais, discriminadas nos Termos de Uso”. Entretanto, a empresa afirma que utiliza compartilhamento de informações entre diferentes produtos para melhorar os respectivos desempenhos: o algoritmo da Google poderá acessar os prontuários para melhorar os resultados nas buscas.
Google, o Big Doctor Brother.
