Google se prepara para enfrentar a Microsoft



A Google acha que, no futuro, a maioria dos aplicativos que usaremos nos computadores serão acessados online, pela internet; a Microsoft acha que será difícil mudar os hábitos atuais, que fazem os usuários se apegar aos seus desktops.

Que a Google e a Microsoft têm posições protagônicas e antagônicas no cenário atual e futuro da internet (e portanto de nossas vidas), todo o mundo sabe. Mas o interessante nessa reportagem de ontem, 16 de dezembro, do New York Times, intitulada “Google se prepara para enfrentar a Microsoft“, é que as posições das respectivas empresas foram expostas por altos executivos das mesmas.

Abaixo, alguns trechos da reportagem.

Eric Schmidt foi, por anos, chefe de tecnologia da Sun, e lá ouvia que não era muito conveniente “importunar o Gigante”; o poder da Microsoft era capaz de massacrar concorrentes que ousavam enfrentá-la (que o digam, por exemplo, Borland e WordPerfect, Netscape, todos riscados do mapa pela Microsoft, e a própria Sun, que precisou das boas graças da Microsoft para consolidar o Java).

Mesmo a Google, em seus primeiros anos, achava prudente não cutucar gente grande. O Gmail, por exemplo, começou a ser desenvolvido em 2001; Paul Buchheit, um ex-engenheiro da Google que trabalhou na concepção do projeto, afirma que boa parte da empresa opunha resistência ao projeto, pois ele competia com o Yahoo! e”poderia incitar a Microsoft a destruir a Google”.

Mas as coisas mudaram muito desde que Schmidt foi para a Google, há seis anos. A Google primeiro tornou-se líder no mercado de buscas (setor que a Microsoft desprezou por longo tempo; agora, nem mesmo com investimentos de bilhões de dólares a máquina de busca da Microsoft consegue ser páreo para a Google) e deu seu grande salto ao criar um inovador método de publicidade que a tornou uma das maiores empresas da internet.

Os serviços que a Google provê (buscas, mapas, mail, etc) são distribuídos, o que a levou a construir diversos data centers ao redor do mundo; a Microsoft continuou focada em produtos (Windows, Office), e por isso não se expandiu muito além de sua base em Seattle. Com esse enorme estoque de dinheiro, inteligência e estrutura física, ficou cada vez mais fácil, rápido e barato para a Google lançar novos serviços; mantendo prudência, primeiro a Google lançou serviços que não competiam diretamente com a Microsoft, como mail, grupos sociais, processamento de imagens, vídeos.

Mas no início desse ano a Google lançou o Google Docs, um pacote de processador de textos, planilha eletrônica e apresentações que concorre diretamente com o pacote Office, que é o produto mais lucrativo da Microsoft; a diferença é que o Docs está disponível online e é gratuito ou muito barato, enquanto o Office deve ser comprado e instalado, pagando-se o alto custo da licença.

Qual modelo vai prevalecer? O do Google Docs ou o do Microsoft Office?

Eric Schmidt diz que 90% das aplicações migrarão para a “nuvem da web” (um local, cuja localização física não importa, que permite acesso permanente à informação). “Para a maioria das pessoas, computadores são máquinas complexas e inconfiáveis; se a Google puder oferecer serviços via web, será uma melhoria em suas vidas. Algumas tarefas, como processamento intensivo de imagens, ainda dependerão de desktops, mas a maioria das tarefas realizadas por trabalhadores do conhecimento pode ser transportada para a web”.

O NYTimes ouviu Jeff Raikes, presidente da Divisão de Negócios da Microsoft; apenas Bill Gates e Steve Ballmer são mais antigos na empresa do que Raikes. Raikes disse que a afirmação de Schmidt é completamente equivocada, “em vista do que se observa no mercado hoje e dos rumos que ele tomará”. Raikes afirma que a Microsoft investiu bilhões de dólares no desenvolvimento de produtos e na pesquisa dos usuários, e oferece o que o mercado quer; a prova seriam as 500 milhões de pessoas que utilizam o pacote Office.

Pequenas empresas, Universidades e indivíduos podem mudar facilmente para aplicações online. Entretanto, grandes corporações e governos são mais reticentes em depender de terceiros e entregar seus dados a eles. A Google afirma que uma média de 2.000 empresas por dia estão aderindo ao Google Docs (US$ 50 por ano por usuário para empresas com mais de 50 funcionários), incluindo algumas grandes, como General Motos e Procte&Gamble.

O New York Times não dá uma opinião expressa sobre quem vencerá a batalha; mas escreve: “A Google parece ter uma chance promissora contra a Microsoft. Mas balançar o gigante é uma coisa, derrubá-lo é outra”.

Adendo: segundo o Instituto de Engenharia Eétrica e Eletrônica (IEEE), a Microsoft foi a empresa que registrou o maior número de patentes em 2007.

Veja preços de Notebooks

2 Responses to “Google se prepara para enfrentar a Microsoft”

  1. Acredito que se a Microsoft não pensar que o tempo de hoje é a mobilidade e Wi-fi, seus produtos desktop perderão certamente espaço para os aplicativos online, não tanto da Google, mas de outras empresas também.

  2. Tiago,
    O que a Microsoft afirma é que certos setores da tecnologia da informação não se afastarão dos desktops, ainda que incorporem mobilidade e wi-fi.
    Por exemplo, a Volkswagem, o Banco do Brasil, a Receita Federal jamais confiarão seus dados a uma “nuvem de informação”; ainda que eles passem a utilizar mais notebooks com wifi, os notebooks ainda terão (segundo a Microsoft) instalados Word e Excell.
    Mas eu concordo contigo: há outras ameaças à Microsoft, principalmente na área de software livre. A VW talvez não use o Google Docs, mas talvez, algum dia, venha a usar Open Office.

Leave a Reply