Guerra eletrônica: Rússia versus Geórgia
Atualização, 14 de agosto: uma reportagem do Wall Street Journal tratou do assunto, e explicou convincentemente que o termo Guerra não se aplica ao caso; a expressão mais adequada é “cyber attacks”, ou “ataques cibernéticos”. Se esse tipo de ataque fosse interpretado como guerra, explica o WSJ, os Estados Unidos teriam declarado guerra à China há muitos anos.
A Geórgia é um pequeno país (pouco maior que a Paraíba, pouco menor que Santa Catarina) situado no sudoeste da Ásia. Foi uma das Repúblicas da União Soviética até 1991; o país é pobre, mas ocupa posição estratégica, pois é atravessado por grandes dutos de gás e petróleo. Uma região chamada Ossétia tem aspirações a desmembrar-se da Geórgia e ou tornar-se independente ou unir-se à Rússia. Por conta desta questão separatista, em 8 de agosto, tanques e aviões russos invadiram a Geórgia, e foi deflagrada uma guerra.
Ao lado dessa guerra de soldados e armas, trava-se também uma guerra eletrônica. Segundo fontes como ZDNet e Computerworld, ataques sistemáticos têm causado colapso em servidores estratégicos da Geórgia, impedindo que o país dissemine suas versões sobre a guerra tanto para seus cidadãos como para o restante do mundo. Ainda de acordo com as fontes, os ataques estariam partindo de diversas frentes: grupos de hackers nacionalistas russos, cidadãos comuns (que estariam sendo municiados com ferramentas básicas de ataques) e agências de inteligência, tanto russas como outras de origem indeterminada (os Estados Unidos - e a CIA -, apesar de defenderem o fim das hostilidades, não manifestaram oficialmente sua posição política).
A principal arma dos atacantes é uma técnica chamada DDoS (Distributed Denial of Service, ou Negação de Serviço Distribuída); a técnica faz com que milhares de máquinas acessem simultaneamente o servidor do site atacado, fazendo com que ele seja incapaz de entregar páginas (daí a negação do serviço). Entre os sites atacados, incluem-se o site da Presidência, o do Ministério da Defesa, o do Parlamento, e os principais sites de notícias da Geórgia.

O colapso da internet causa um quase colapso na rede de comunicações. Georgianos podem ainda assistir a rádio e TV, mas os profissionais dessas mídias dependem muito da internet para obter e repassar informações. Estrangeiros ficam com acesso muito limitado às versões dos Georgianos, o que numa guerra é uma enorme desvantagem.
Há alguns anos, quando se discutia a privatização da Telebrás e da Embratel, uma das alegações dos anti-privatizantes era que seria temerário entregarmos nossa estrutura de comunicações e de rede nas mãos de estrangeiros (que poderiam se virar contra nós em caso de guerra).
O episódio da Geórgia mostra duas coisas:
I) as guerras eletrônicas já são realidade, e, em vista de sua infraestrutura, é melhor o Brasil não se meter em nenhuma delas;
II) o que de fato interessa para o país é a robustez da rede, e não a nacionalidade do seu controlador; uma evidência disso é que o governo Georgiano, para manter-se conectado, hospedou alguns dos seus sites nos servidores da Google.

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