Notebook ou Desktop?

O Eric Coutinho, webmaster do Vida de Freela, lançou, nesse post, uma questão interessante: por que um profissional como ele, que possui um desktop e um notebook, utiliza preferencialmente o notebook, mesmo estando em casa, com o desktop à mão?

Não saberia como responder ao caso específico dele (mesmo porque depende de qual profissão, desktop ou notebook estamos falando), mas uma tendência é inegavelmente clara: profissionais utilizarão mais e mais os notebooks. Na atual Era do Conhecimento, o crescente grupo de profissionais que vivem de Conhecimento precisa do acesso contínuo a informações que os notebooks estão em vias de proporcionar (e os desktops nunca proporcionaram).

Nos anos 80, o desktop era utilizado para gerar, armazenar e gerenciar dados; notebooks eram caros, e com menor capacidade de manipular dados.
Um bom advogado (entenda-se: aquele que teve uma boa formação acadêmica) que tivesse a iniciativa de utilizar um desktop para armazenar seus processos em arquivos digitais (em vez de tentar lembrar em qual gaveta eles estavam guardados), a fim de consultá-los para instruir um novo processo mais rapidamente, tinha uma grande vantagem mesmo em relação aos outros bons advogados.

Nos anos 90 e início dos 2000, houve explosão da conectividade (incluindo a internet), o que permitiu amplo acesso a dados de todos os tipos; a conectividade de notebooks geralmente exigia placas específicas e era mais lenta, tornando-as assim mais caras.
Os profissionais de sucesso, por outro lado, passaram a ser aqueles que, a partir dos dados, geravam informação. Usar um computador tornara-se comum, todos os advogados já usavam; um bom advogado provavelmente descobrira antes dos concorrentes que compensava pagar e utilizar um site com uma biblioteca jurídica virtual, em vez de acumular livros na estante.

Qual o quadro hoje? Os preços dos notebooks estão caindo; os notebooks têm capacidade de processamento comparável à dos desktops; a conectividade das máquinas portáteis é cada vez mais ampla. Isso significa que as barreiras que mantinham os notebooks em desvantagem em relação aos desktops estão caindo.
E os profissionais? Dados e informações estão abundantes na Internet; cabe ao bom profissional encontrar as boas fontes, manter os contatos corretos, agregar conhecimento e, a partir daí, propor ações e resultados. O bom advogado já conhece todos os sites relevantes sobre Direito; ele vai ouvir seu cliente e, na hora e no local em que for necessário (possivelmente, já num Tribunal), consultar os processos relevantes e propor a melhor argumentação ou ação.

Estamos começando a viver o cruzamento desses dois caminhos: profissionais que precisam permanentemente de informações E máquinas portáteis que permitem acesso permanente a informações. É por isso que bons profissionais começam a migrar, ainda que institivamente, em direção aos notebooks.

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4 Responses to “Notebook ou Desktop?”

  1. Eu imagino que as pessoas preferem o notebook mesmo quando estão perto de seus desktops por causa do dados contidos neles. Poucas pessoas tem um servidor central para seus dados, no meu caso eu uso uma máquina que é acessivel pela internet para guardar todos os meus dados importantes e assim nunca uso o desktop.

  2. Opa. Valeu pela continuação da “discussão” aqui.

    Eu, como o Pedro, fiquei “preso” ao note por conta dos arquivos, mas tenho minhas dúvidas se, depois que comprar um HD externo e mantiver todos os meus arquivos nele, não vou ficar ainda nele.

    Agora estou postando do desktop, sendo que ontem e hoje estou usando o mesmo. É que precisei usar arquivos que estão aqui e por preguiça de copiá-los fiquei por aqui. Além disso, precisei entrar no Second Life e do notebook não rola… praticamente impossível.
    Eu achava que iria usar o notebook raramente, então não me preocupei muito com a configuração. Hoje me arrependo.

    De qualquer forma, acho difícil ainda pra mim, como webdesigner, parar de usar desktop. Trabalhando em coisas como o SL então, nem pensar… O problema maior do notebook na minha opinião como webdesigner é a dificuldade de visualização correta em diversas resoluções de tela.

    Resumindo, já era…
    Daqui há um ou dois anos, quando me livrar das dívidas e conseguir comprar um carrinho vou investir em um “ponta de linha”. :D

    Abraços.

  3. Ano passado quando comprei um desktop, tomei uma decisão: provavelmente seria meu ultimo desktop. Já trabalho com notebook de forma direta há uns três anos. Em casa costumo usar meio a meio, mas sei que com o tempo e com a qtde de arquivos que for acumulando no notebook vou passar a usa-lo mais…
    Mas acredito que o desktop ainda é importante, como forma de manter e preservar seus dados. Por exemplo, o advogado citado gostaria de ter um grande arquivo em sua residência, até mesmo para se precaver de roubous e invasões de privacidade. Mas sem dúvida, acredito esta ser uma tendência…

  4. Pedro, Eric, Andrei,
    Hoje e por ainda alguns anos, acho que haverá ainda motivos para se usar um desktop. Por exemplo, quem abre Photoshop, Corel e Dreamweaver ao mesmo tempo, ou quem joga Second Life na máxima resolução, ou quem armazena enormes quantidades de dados (uma empresa varejista talvez, mas acho que não um advogado), ainda vai precisar de um bom desktop por algum tempo.
    Mas em alguns anos os chips estarão dez vezes mais poderosos, as bandas serão dez vezes mais largas, armazenamento será dez vezes mais barato; possivelmente, haverá dez vezes mais oferta, e os preços serão relativamente mais baixos (vejam o que se compra com US$ 1000 nos EUA hoje). Isso sem nem entrar muito na convergência internet+TV+telefonia+certicados digitais; com os certificados, que também já estão entre nós, a segurança aumentará muito.
    Os fabricantes certamente já perceberam isso. Há algum tempo que não se escuta falar de lançamentos de desktops (acho que eles agora conversam diretamente com os grandes clientes, como o Governo ou estatais). Por outro lado, quase que diariamente anuncia-se algo sobre notebooks ou sobre tecnologia relacionada.
    O grande problema com notebooks ainda são as baterias. Não se pode depender de dados e informações, se vc. não estiver certo de que pode acessá-los. Quando alguém anunciar uma bateria que dura dois ou três dias, muitos desktops serão aposentados.
    Abraço a todos.

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