Notebooks detectam terremotos
O SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence - Busca por Inteligência Extra-terrestre) é um projeto implementado já há algum tempo pela Universidade de Berkeley, com o propósito de utilizar a capacidade ociosa de computadores ao redor do mundo para analisar dados provenientes de rádio-telescópios, procurando por padrões que indiquem a existência de inteligência por trás dos mesmos.
A idéia do SETI é permitir que qualquer pessoa com um computador conectado à internet possa colaborar, “doando” um pouco de capacidade computacional ociosa (as máquinas de usuários comuns passam a maior parte do tempo ociosas): basta visitar a página, baixar e instalar um pequeno programa que adiciona a máquina à rede do SETI; quando a máquina estiver com capacidade ociosa, o programa se encarrega de utilizar essa capacidade para realizar cálculos e enviar os resultados à central do SETI.
A Universidade de Stanford propõe algo similar: o Quake Catcher Network, ou Rede para Detectar Terremotos. A idéia é utilizar dois dispositivos presentes em um número crescente de notebooks (inclusive no Brasil): o sensor de choques (utilizado para pressentir a queda do notebook, e desligar automaticamente partes sensíveis, como o HD, para evitar danos) e o GPS (que indica as coordenadas geográficas da máquina).
Atualmente, a ocorrência de terremotos é medida por aparelhos chamados sismógrafos. Os sismógrafos, entretanto, apresentam algumas inconveniências: custam caro, são escassos, e são pouco sensíveis a tremores muito fracos (confundem-se com ruído) ou muito fortes (causam um overflow nas sensíveis agulhas que registram os tremores).
Os notebooks, por serem mais baratos, estão presentes em quase todos os pontos habitados da Terra. É verdade que um punhado de notebooks não consegue prover informações confiáveis, pois nenhum notebook é capaz de diferenciar um tremor causado por terremoto de outros tremores corriqueiros, como o simples ato de se apertar os botões do teclado.
Entretanto, se houver um número suficientemente grande de máquinas conectadas à rede, será então possível confirmar a ocorrência de terremotos, por meio da análise de padrões; ou seja, milhares de notebooks numa mesma localidade registrando a mesma pequena aceleração indicarão a ocorrência de terremoto naquela localidade. Essa página mostra registros enviados por alguns notebooks que, segundo o QCN, foram obtidos durante o terremoto ocorrido em Los Angeles em julho desse ano (ver notícia e vídeo do Youtube sobre o terremoto).
E, segundo a The Economist, mais ainda será possível: uma súbita ocorrência de grandes deslocamentos permitiria às autoridades alertar contra iminentes terremotos (com muito mais agilidade do que atualmente, onde se depende de alguns poucos sismógrafos); e com o exame de milhares de pequenos pedaços de informação, seria possível estudar os movimentos tectônicos (tanto horizontais quanto verticais).
