O crescimento do mercado de notebooks no Brasil
Nenhum setor da economia brasileira, seja industrial, comercial ou de serviços, está crescendo tanto quanto o mercado de notebooks.
Em 2007, o PIB do país cresceu 5,4% (o agronegócio comemorou um crescimento recorde de 7,89%); em 2008, se as previsões otimistas se confirmarem, o PIB do Brasil deve crescer ao redor de 5% (em junho, a indústria de automóveis comemorou o crescimento de 6,6% em relação ao ano passado).
Enquanto a Economia celebra esses crescimentos de um dígito, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) informa que, nesse primeiro semestre de 2008, as vendas de notebooks tiveram um crescimento de 186% em relação ao mesmo período do ano passado; mesmo na China, país dos grandes números de crescimento econômico, a venda de notebooks cresceu 47,5% entre o segundo trimestre de 2007 e o de 2008. No Brasil, foram vendidos 1,762 milhão de notebooks de janeiro a junho, e a previsão é de que o número chegue a 5,450 milhões até o final do ano (as vendas são maiores no segundo semestre, principalmente por conta do Natal).
E isso não é novidade. Em agosto de 2007, o Notebooks Blog já informava no final desse post que as vendas da Positivo no segundo trimestre de 2007 haviam sido 738% superiores às do ano anterior. No balanço do terceiro trimestre de 2007, a mesma Abinee informou que o crescimento das vendas de notebook em relação ao ano anterior havia sido de 216%; e no balanço geral de final de ano, a Abinee informou que as vendas totais de notebooks cresceram 153% em relação a 2006.
E o crescimento tampouco é passageiro. Segundo a própria Abinee, os notebooks, que hoje representam aproximadamente 30% do mercado de computadores (que incluem também desktops e servidores), devem atingir 50% já em 2009 (algo que já acontece nos Estados Unidos desde 2007) e em 2010 devem representar 75% do mercado.
Resta esperar que o aumento do mercado permita ganhos de escala e redunde em diminuições de preços. Vale ressaltar uma declaração do vice-Presidente da Abinee: “devido ao valor agregado do produto, praticamente toda a produção é vendida, já que a estocagem acaba ficando cara”; isso significa que é melhor para o comércio vender a máquina com pouco ou nenhum lucro do que acabar com um produto obsoleto encalhado no estoque. Isso é decorrência também do rápido crescimento do mercado, e é ainda outro indicador de que os preços devem continuar caindo.
