Por que os preços de notebooks no Brasil são altos?
Diversos posts desse blog mostram a distância que existe entre os preços de notebooks no Brasil e nos Estados Unidos; por exemplo, um post comparou preços de um mesmo modelo Dell Inspiron aqui e lá; e quando se comparam os modelos mais vendidos, percebe-se que os Americanos recebem um notebook com muito mais recursos por um preço inferior ao pago pelos Brasileiros.
Quais seriam as causas dessa discrepância?
- Carga tributária. A carga tributária total no Brasil ultrapassou os 37% em 2005 (dados oficiais) e, segundo notícias recentes, aumentou desde então; nos Estados Unidos, a carga tributária total tem girado ao redor de 25% (ver gráfico).
Já é uma diferença considerável, mas o número é enganoso. A carga tributária nos Estados Unidos concentra-se em impostos diretos, sobre renda e propriedade; os impostos sobre vendas são relativamente baixos (e, além disso, discriminados na compra; nessa compra, para um notebook de US$ 728, o imposto sobre vendas foi US$ 51). No Brasil, a carga recai sobre impostos indiretos, que são repassados ao consumidor, como IPI, ICMS, PIS, Cofins, etc; somente de IPI, a carga é de 15% (ver Seção XVI da Tabela de IPI).
Ou seja, nos Estados Unidos os consumidores pagam pouco imposto sobre compras, e os contribuintes (indivíduos e empresas) pagam alto imposto sobre rendas, lucros e patrimônio. No Brasil, dada a dificuldade de tributar diretamente, o Estado toma o caminho mais cômodo de tributar o consumidor.
- Escala. O Brasil já é o quarto maior mercado de computadores no mundo, mas as vendas aqui (incluindo os importados) ainda são oito vezes menores do que nos Estados Unidos.
São os ganhos de escala que permitem diminuir a percentagem de custos fixos no preço final. Por exemplo, os salários dos empregados, os aluguéis (ou depreciação) das instalações, os investimentos em marketing são custos relativamente fixos de um fabricante de notebooks (em contraposição, os insumos, como processadores, displays, energia elétrica e outros são custos variáveis, pois aumentam sempre que a produção aumenta).
Como a escala no Brasil é muito menor do que nos EUA, o preço final carrega um peso maior para compensar os custos fixos. À medida que as vendas aumentam (e os custos fixos não aumentem na mesma proporção), esse peso proporcional diminui, e os preços finais podem diminuir.
- Custo Brasil. As deficiências na infra-estrutura do Brasil aumentam os custos. Por exemplo, essa recente reportagem da Veja mostra que, por causa das más condições das estradas, enquanto os fretes representam 10% do custo de um computador nos Estados Unidos, no Brasil a porcentagem chega a 20%; não é difícil avaliar que os nossos portos e aeroportos também contribuam para aumentar os custos.
É evidente também que as empresas brasileiras gastam mais com segurança particular, pagam mais por seguros, têm mais prejuízos com assaltos e outros atos violentos. O custo disso tudo é repassado para os preços.
- Juros. É bem sabido que o Brasil tem uma das taxas de juros mais altas do mundo. E se os juros já são altos quando se fala de taxas básicas (taxas cobradas pelo Banco Central quando empresta a outros bancos), eles se tornam estratosféricos quando se fala de juros comerciais (que os bancos cobram quando emprestam dinheiro a indivíduos e empresas); essa recente reportagem informa que microempresas pagam mais de 70% ao ano, e grandes empresas mais de 30%.
A cadeia de produção de notebooks é longa e exige muitos recursos (ou seja, demanda crédito); começa com investimentos em patrimônio imobilizado, passa por grande volume de gastos com insumos ou produtos para revenda (o capital de giro) e termina no financiamento ao consumidor.
Cada um dos agentes na cadeia embute os custos dos juros (ou que efetivamente pagou, ou que poderia ter ganhado, se tivesse investido o capital). Com taxas da ordem de 30% ano ano, é evidente que o preço final do notebook carrega grande impacto dos juros.
- Falta de concorrência, tanto entre fabricantes como entre vendedores. Por diversos motivos, há muito mais pontos de venda e notebooks, tanto físicos como on-line, nos Estados Unidos do que no Brasil.
A Google indexa hoje 2.370.000 páginas sobre notebooks em Português, e quase 70 milhões em inglês. A concorrência, ou seja, o medo de perder um cliente, é o grande motivador para que as empresas busquem mais eficiência e reduzam preços. Não é por coincidência que o Submarino e as Americanas têm preços muito semelhantes.
O que fazer para reduzir os preços dos notebooks? Algumas idéias num próximo post.
Leia também: importando um notebook dos Estados Unidos; trazendo notebooks na bagagem.

Para baixar os preços de notebooks assim como tudo mais no pais a receita é bem simples, investimento em infra-estrutura portuária, conservação de estradas, rodo-anéis bem planejados, investimentos em parques industriais em zonas de menor concentração populacional atraindo assim para metrópoles menores a mão de obra que satura os grandes centros urbanos, iniciativas de renuncia fiscal ou aglutinação de impostos como tivemos recentemente onde algum impostos foram unidos e ouros que tiveram suas alicotas reduzidas.
mas claro tudo isso dói para mudar e não da lucro para o grande empregador e ao lobista e não gera vontade politica e é feio ganhar dinheiro honesta e sustentavelmente nesse pais.