Processadores AMD



Recentemente, esse blog escreveu um post sobre a nomenclatura dos processadores Intel (a qual, por sua complexidade, gera certa confusão na escolha de um processador para notebook); dessa feita, o tema são os processadores da AMD.

A AMD (Advanced Micro Devices) foi fundada em 1969; por vários anos, atuou no mercado de produção de memórias, chips dedicados e microcontroladores. Em 1982, a AMD assinou contrato com a Intel para produção dos chips 8086, 8088 e posteriormente os 286 (esses chips foram utilizados pela IBM nos primeiros PC, e foram parte do início da revolução da computação; ver História dos notebooks). Com o fim do contrato, a AMD, como outras fabricantes de chips, resolveu clonar os chips da Intel 386 e 486; esses clones, produzidos sem autorização da Intel (eram resultantes de engenharia reversa), eram capazes de executar as mesmas instruções que os originais.

Em 1993, em vez de batizar o novo chip como 586 (que pode ser adotado também pelos clones), a Intel lançou o Pentium e registrou a marca comercial. A AMD lançou então o K5; a letra K é uma referência à Kriptonita, o único elemento que poderia enfraquecer o super-homem (referência à Intel).

Essa tabela mostra a evolução dos processadores da AMD a partir do K5. Enquanto a Intel lançava o Pentium II e Pentium III, a AMD lançava o K6 e o K7. Durante algum tempo, a AMD investiu pesado na contratação de cérebros e aquisição de outras empresas; a empresa lançou chips de alto desempenho (os Athlon) e outros de baixo custo (os Duron) que conquistaram predominância no mercado de desktops; por algum tempo, a AMD batizou seus chips de maneira a ressaltar a superioridade frente os chips da Intel (o Athlon de 1.33 GHz foi batizado de Athlon 1500+, para indicar que era tão potente quanto um Pentium de 1.50 GHz); a AMD realizou a proeza de lançar um chip de 64 bits antes da Intel. A Intel, entretanto, anteviu a importância do mercado de notebooks (em que otimização de consumo de energia é mais importante do que aumento na velocidade de processamento) e conseguiu recuperar sua supremacia; ver como a Intel superou a AMD.

Hoje, os principais chips da AMD são da linha K8 (que seria equivalente aos Pentium IV da Intel). Os principais processadores para notebooks da AMD são o Turion 64 (chip de baixo consumo, que competia com o Pentium M) e o Turion 64 X2 (dual core, compete com os Core Duo e Core 2 Duo). Da mesma forma que a Intel disponibiliza os Celeron, a AMD disponibiliza os Sempron, que são chips de menor rendimento destinados a máquinas de preço baixo.

Embora quase todos os fabricantes ofereçam algumas máquinas com processadores AMD (a Apple é uma exceção: todos os Macbooks vêem com Intel), a preferência dos usuários tem determinado que a maioria dos modelos de notebooks tenham chips Intel. Essa preferência é fruto que a Intel ainda colhe por ter se antecipado à AMD na corrida pelo segmento de notebooks. Diversos testes comparativos têm mostrado que, em notebooks, os chips da Intel superam os da AMD (ver exemplos aqui e aqui).

Entretanto, não se pode dizer que a AMD esteja morta. A empresa já lançou chips da geração K10 (não houve a geração K9; de acordo com rumores não oficialmente confirmados, isso ocorreu porque a pronúncia de K9 em inglês assemelha-se a “canino” ou “canina”, o que poderia depreciar a imagem da AMD), como os Opteron e o Phenom de 4 núcleos (a AMD refere-se ao Phenom como o único chip genuinamente quad-core, já que ele contém quatro cores numa mesma pastilha de silício; os quad-core da Intel são formados de duas pastilhas com dois core cada - ver página com áudio sobre os Quad Core AMD).

Mas, apesar de estar trabalhando firme em cima dos K10, o grande trunfo da AMD pode vir de outro lado: os chips Fusion. Em 2006, a AMD comprou a ATI, uma das duas maiores fabricantes de chips gráficos do mundo. Desde então, pesquisadores da empresa têm trabalhado no projeto de um chip que incorporasse numa mesma pastilha tanto a CPU (os atuais microprocessadores) como a GPU (o processador gráfico). Tal processador seria o Fusion (a fusão de CPU e GPU) e traria ganhos potenciais enormes, tanto em desempenho como em consumo de energia; o Fusion, após atrasos, está agora previsto para 2009; notícias sobre o Fusion têm vazado, e, se confirmadas, podem tornar a AMD novamente competitiva.

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