Processadores Intel: Pentium, Dual Core, Core, Core 2, Centrino …

É difícil encontrar alguém que não se confunda com essa profusão de nomes que a Intel criou para designar suas famílias de processadores.

E há diversos fatores que se juntaram para criar essa confusão. Em primeiro lugar, a evolução ocorreu de forma muito rápida; a tecnologia de processadores e computação móvel evoluiu nos últimos anos mais rapidamente do que houvera nas décadas anteriores (ver história dos notebooks). Mesmo a Intel parece ter sido surpreendida por essa rapidez, pois escolheu nomes de arquiteturas, processadores e plataformas que não apenas deixavam de mostrar a evolução, como causavam confusão entre o público não técnico (vale lembrar que por algum tempo a Intel travava uma batalha contra a AMD, sem que houvesse um vencedor definido). E no fim da cadeia estavam alguns dos fabricantes e revendedores de notebooks: tornava-se mais fácil para publicitários e vendedores de impressionar os potenciais compradores utilizando-se uma mistura de termos indefinidos, como “esse notebook tem processador Intel de duplo núcleo Centrino com Dual Core Celeron” (ver, a propósito, esses anúncios recentes de notebooks HP e do Itautec W7645).

Não é muito fácil tentar explicar, no pequeno espaço de um post, esse emaranhado de nomes de processadores; mesmo esse PDF com a evolução dos processadores Intel, criado pela própria, não é muito esclarecedor. Não obstante, vai abaixo uma tentativa.

A Intel forneceu os processadores para os primeiros PCs, projetados pela IBM na década de 80. A Intel começou com os 8086, passou para 286, 386 e 486. Em 1993, em vez de simplesmente lançar um 586, a Intel batizou o novo chip de Pentium e registrou o nome, impedindo assim que outras empresas o utilizassem. Isso criou um diferencial (o “Intel Pentium Inside”) que destacava os chips Intel dos demais, e permitia um aumento de preços; a Intel gostou tanto da idéia que, nos sucessores do Pentium, em vez de adotar novos nomes (Hextium, Heptium, etc), passou a manter o Pentium e incrementar a numeração: Pentium II, Pentium III, Pentium 4, e Pentium M. Com exceção do Pentium M, de 2003, todos os demais Pentium eram destinados ao mercado de desktops; a evolução dos chips era determinada pela velocidade de operação (o clock, que saltou de alguns MHz do 286 para alguns GHz nos Pentium 4).

A partir de 2005, com o crescimento da computação móvel, a Intel voltou sua atenção para o setor de chips de notebooks. Uma diferença marcante desse setor é que a autonomia das máquinas é tão ou mais relevante para o usuário quanto a velocidade de processamento. Com esse pensamento, a Intel passou a investir na arquitetura Core; a idéia é fazer o processamento em núcleos (Cores), e ir agrupando Cores à medida em que se necessite de mais processamento. A maior vantagem disso é que dois Cores consomem muito menos energia do que um chip único com o mesmo número de transístores (isso é conseguido pela distribuição da carga de processamento entre os cores); chips com quatro ou mais cores podem ir muito além do que seria possível com apenas um core.

Em janeiro de 2006, houve o lançamento simultâneo dosintel core duo intel core soloIntel Core Solo e Intel Core Duo. O interessante é que, apesar do nome, esses chips não utilizavam a arquitetura Core.
Os chips utilizavam a mesma arquitetura dos Pentium M, de 32 bits; o Core Duo basicamente era um chip com dois Pentium M interligados, e o Core Solo era um Core Duo em que um dos chips estava desativado. Note-se que, a partir de então, a Intel começou a abandonar o nome Pentium: os chips eram Intel Core Solo e Intel Core Duo.

Em julho de 2006 (ou seja, apenas seis meses após o lançamento dos Core), intel core 2 solo intel core 2 duointel core 2 quada Intel embolou tudo de vez. Naquele mês, foi lançada oficialmente a linha Intel Core 2, que compreendia os chips Intel Core 2 Solo, Intel Core 2 Duo, Intel Core 2 Quad e Intel Core 2 Extreme. Esses sim eram chips baseados na arquitetura Core, de 64 bits; a Intel lançou novos selos, similars aos selos Core, com a diferença de que agora havia um pequeno 2 estampado.

Ainda em 2006, a Intel lançou os Pentium Dual-Core e Pentium D; grosseiramente falando, são versões respectivamente dos Core e Core 2 para desktops. Não entraremos em mais detalhes, uma porque não é tópico desse blog, e outra porque há ainda mais confusão criada pela Intel a ser narrada: a questão do Centrino.

Em 2003, quando a luta entre Intel e AMD estava no auge (com alguma vantagem para a AMD no intel centrinomercado de desktops), a Intel lançou pesada campanha publicitária enaltecendo as vantagens da plataforma Centrino. A plataforma não é apenas um processador, e sim um conjunto que inclui o processador (que no Centrino original era o Pentium M), um chipset e - aqui foi a grande jogada da Intel - os chips para comunicação sem fio. O pesado marketing da Intel (que incluía pagamentos a grandes fabricantes, como NEC e HP, para que eles utilizassem apenas Centrino) anunciava que Centrino Inside era sinônimo de comunicação wireless; o episódio levou a AMD a impetrar ação judicial contra a Intel por práticas anti-trust.

Fato é que a Intel conseguiu ganhar ainda mais mercado com a publicidade do Centrino. Ao longo dos anos, a Intel continuou bancando a publicidade do Centrino, alterando apenas os chips que compunham a plataforma; apenas recentemente, em julho de 2008, a Intel resolveu alterar o nome para Centrino 2, a fim de enfatizar os grandes avanços que estarão embutidos nos chips que compõem a plataforma.

E vale a pena preocupar-se com a plataforma? Vale a pena pagar mais por um notebook com o selo Centrino 2? O selo Centrino ou intel centrino 2Centrino 2 garante que o notebook utiliza componentes testados e aprovados pela Intel (garante também que a Intel cobrará um pouco mais caro por esses testes). Não há impedimentos, entretanto, para que uma empresa séria (Sony, Apple, HP, etc) faça seus próprios projetos abrindo mão da suposta harmonia entre os chips da plataforma, e consiga um desempenho igual ou superior, com um preço mais baixo; é uma situação análoga ao de um carro novo: a montadora prefere que os donos de carros comprem peças e serviços apenas nas concessionárias autorizadas - que custam muito mais caro, mas nada impede que um bom mecânico faça um serviço melhor a preços mais baixos.

E para terminar esse longo post, apenas alguns comentários sobre o Celeron, outra grande jogada da Intel. O Celeron existe desde 1998, tempos do Pentium II. Basicamente, o Celeron é uma família destinada a máquinas mais baratas; a Intel pega alguns de seus processadores de ponta, desabilita algumas funções (por exemplo, reduz ou elimina a memória cache) e os vende como Celeron, a preços mais baixos. E por que a Intel faz isso? Porque se não fizesse, teria apenas chips caros para vender, e assim teria ou que dar descontos aos fabricantes de modelos populares (irritando assim os grandes fabricantes), ou teria que cobrar os mesmos altos preços que cobra dos fabricantes de ponta (alijando do mercado a massa que compra máquinas baratas ou, pior ainda, mandando-a para a AMD ou VIA).

A linha Celeron vai, assim, acompanhando a uma distância segura os chips de ponta; atualmente, na página da Intel sobre Celeron, há menções às linhas Celeron M, Celeron e os mais recentes Celeron Dual Core. A maioria dos notebooks populares vendidos no Brasil utiliza chips Celeron, que têm as seguintes identificações: 420, 430, 440, 530, 540, 550 (ver especificações técnicas dos Celeron).

Como antes alertado, essa questão sobre a evolução dos processadores Intel gera longos textos. E mais ainda será necessário para explicar a comparação entre desempenhos, e a comparação com chips rivais. Fica para outro post.

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