Revista Veja: A Rede Democrática



Nesse último final de semana, a Revista Veja #2035 publicou uma reportagem com o título acima e a chamada “Acesso público à internet de banda larga começa a fazer parte da infra-estrutura de capitais e pequenos municípios brasileiros“.

A seguir, a reportagem torna-se mais realista e informa que, das 5.564 cidades do país, 3.570 não têm sequer acesso à internet (seja em banda larga ou qualquer outra forma), e apenas 24 têm acesso público à internet sem fio; o governo federal informa que, até o final de 2008, investirá R$ 40 milhões para expandir o acesso sem fio a outros 160 municípios do país.

Porto Alegre é a cidade brasileira com mais amplo acesso à internet sem fio; graças à Prefeitura, conhecida por seu pioneirismo tecnológico (desde há alguns anos a administração tem adotado preferencialmente softwares livres), o acesso é gratuito em parques, praças e na região portuária. A próxima capital a ter essa abrangente cobertura sem fio é Belo Horizonte, que terá cobertura em 90% de sua área até maio de 2008.

A Veja menciona casos de outros locais no mundo que estão mais adiantados que o Brasil. A cidade mais conectada do mundo é Taipé, capital de Taiwan, onde existem 4100 pontos de acesso; em Houston, as medições de água e energia elétrica são feitas via rede sem fio; nos pontos turísticos de Londres, Paris e Roma, os visitantes já podem abrir seus notebooks e conectarem-se à rede; mesmo em Buenos Aires há um projeto avançado.

Nota do blog: o Brasil tem alguns programas federais de inclusão digital, como o Computador Para Todos, criado em 2003 e que levaria máquinas a crianças carentes e seus professores (ver, sobre esse assunto, notas recentes aqui e aqui), e o GESAC, criado em 2002, que levaria a internet a todos os municípios do Brasil (não encontrei referências ao Programa Cidades Digitais, mencionado na Veja).

O problema é que, claramente, as burocracias (no sentido administrativo) do Brasil não conseguem acompanhar a evolução tecnológica; quando a máquina do governo (técnicos, gestores, políticos) consegue se inteirar sobre a tecnologia que vai comprar, ela já está obsoleta. O setor privado, aos poucos, vai expandindo a oferta de conectividade para aqueles que podem pagar; mas o Brasil está muito longe de uma rede democrática.

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One Response to “Revista Veja: A Rede Democrática”

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